VINDE A MIM

Christ_and_the_Children

Era uma vez um garotinho muito inteligente. Sua irmã mais velha – igualmente inteligente, pois vinham de uma família muito culta – era a principal interlocutora para a variedade de assuntos que aguçavam a sua curiosidade. Mas Cristiano – esse era seu nome – não era um menino isolado. Tinha muitos amigos e adorava brincar e jogar videogame. Seus pais, desde cedo o ensinaram que “há tempo para tudo”.

Cristiano era um garoto extremamente perspicaz. Qualquer sinal de desordem colocava sua mente em alerta: uma discussão, um cheiro diferente no ar, uma coisa fora do lugar adequado, uma ideia absurda etc.. Guardadas as devidas proporções, de dentro de seu universo de uma criança de 08 anos, Cris percebia tudo!

Um dia Cristiano foi passear no Shopping com a família. De repente percebeu uma movimentação diferente perto do pátio central. Viu um senhor alto, imponente, porém de aspecto bastante simples, cercado de pessoas. Uma pequena multidão se digladiava para chegar perto (quiçá tocar) aquele homem. E ele, pacientemente, a todos acolhia, e parecia gostar.

A mãe de Cristiano, de quem havia herdado a peculiar perspicácia, pensou sem dizer: “não sei quem é, mas não é um artista”. Sua irmãzinha estancou; ficou boquiaberta e nada dizia, parecia ter visto um fantasma! O pai, com ar aristocrático de quem é completamente alheio a celebridade de qualquer tipo, disse, lacônico: “A televisão não pára de produzir ídolos de última hora”.

Mas Cristiano, num átimo, saiu em disparada! Sua irmã, imediatamente, o seguiu correndo o mais que podia!

O homem, que até então estava com a atenção completamente voltada para a multidão que o cercava, levantou a cabeça e olhou diretamente para aquelas duas crianças correndo em disparada ao seu encontro. E de um modo incrivelmente rápido – como se tivesse passado por dentro de todos – se desvencilhou da multidão e caminhou, de braços abertos, até as crianças. Ajoelhou, pois era muito alto, lhes deu um longo e apertado abraço e disse baixinho aos seus ouvidos: “Vosso é o Reino de Deus!”.

Quando os pais das crianças – que continuaram vagarosamente caminhando em direção àquele encontro – estavam a uns três metros da cena, o homem se levantou, deu dois ou três passos até a multidão e nela se diluiu, desaparecendo por completo. Ao se aproximarem daquele aglomerado de gente e espiarem por cima das cabeças, viram um lindo presépio e, no centro, uma escultura do Menino Jesus que parecia lançar ao casal um olhar compassivo e radiante.

Nunca mais aquela família foi a mesma. As crianças? Ah, as crianças cresceram e se tornaram adultos responsáveis, sem nunca terem esquecido que tinham sido feitas herdeiras de um reino no meio de um Shopping Center.

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Um FELIZ NATAL a todos os meus queridos leitores!

Paulo Cruz

 

 

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