Um verdadeiro Guerreiro!

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Alberto Guerreiro Ramos

Em tempos de eleições e – sobretudo – de músicas exaltando figuras como a do guerrilheiro comunista Carlos Marighella, é urgente trazer à baila o contraponto de um grande intelectual: Alberto Guerreiro Ramos.

Guerreiro Ramos (1915 – 1982) foi um dos maiores intelectuais brasileiros. Negro – sim, negro!, não o conhecem os Movimentos? –, sociólogo cultíssimo, foi professor universitário e deputado federal. Abandonou o país que amava, após tornar-se vítima de intensa perseguição por condenar as falácias do Marxismo – que, à época (anos 50/60), era a novidade messiânica incontestável. O fez limitando-se ao chamado Marxismo-Leninismo, pois cria na validade das ideias originais de Marx.

Nos EUA, tornou-se prestigiado professor da Universidade do Sul da Califórnia, até sua morte, em 82.

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Uma obra contundente!

Sua obra – composta de textos fundamentais sobre Sociologia e Administração no contexto brasileiro – foi relegada ao ostracismo, tornando-se uma espécie de anátema nos círculos intelectuais esquerdistas que dominam nossas universidades (mesmo sendo, ele próprio, um homem de Esquerda). Hoje, é praticamente desconhecida.

Leiamos abaixo excertos de sua contundente obra “Mito e Verdade da Revolução Brasileira”. Escrito em 1963, é um libelo contra o pensamento revolucionário que, travestido de um populismo baixo e maligno, ainda hoje faz suas vítimas no cenário político brasileiro.

Para mais informações:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Guerreiro_Ramos

http://www.cchla.ufpb.br/caos/n11/07.pdf

http://www.historiadaadministracao.com.br/jl/index.php?option=com_content&view=article&id=94:alberto-guerreiro-ramos&catid=10:gurus&Itemid=10

http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252007000200016&script=sci_arttext

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[…] Não participo do irracionalismo e do niilismo que inspiram a obra de Ionesco. Reconheço-lhe, porém, grande atualidade, pois, decompondo analiticamente as condutas, propicia compreender o que, em nossa época, é deformidade moral disfarçada de virtude. A peça “Rinoceronte” pode ser considerada, por vários motivos, sátira contra o conformismo do ser humano, tiranizado pelos hábitos sociais. Em capítulo deste livro reporto-me ao enredo da peça. Ionesco mostra como o absurdo pode tornar-se conteúdo ordinário do cotidiano. […]

Sob o signo do drama de Ionesco, escrevi este livro. Nele trato da metafísica da revolução. No Brasil, a revolução corre o risco de tornar-se rinocerônica. Reajamos enquanto não é tarde. Reajamos contra os aparelhos que pretendem empolgar a liderança da revolução brasileira e que, impondo com bruta determinação os seus slogans, comandos e palavras de ordem, pretendem fazer passar as suas conveniências grupistas por conveniências gerais do povo brasileiro. Pela sua audácia, pois não hesitam em macular a honorabilidade política de legítimos patriotas, esses aparelhos são hoje, entre nós, absurdas e intoleráveis modalidades urbanas de cangaço e banditismo. […]

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Guerreiro Ramos

Surgiu neste país o negócio da revolução. Surgiram aparelhos que decretam, arbitrariamente, quem é e quem não é revolucionário, e que tem, a seu serviço, radicais de estimação, cúmplices dóceis de seus propósitos mistificadores. […] Técnicos idôneos, política e moralmente, têm sido marginalizados como agentes do “imperialismo”, porque ousam resistir a essa impostura. Esses aparelhos teriam institucionalizado o juízo da história, seus atos seriam fruto de infalível sabedoria revolucionária, pois se acreditam iniciados nos segredos eleusinos do processo brasileiro. Assim, hoje, no Brasil existe a figura do pecado contra o Espírito Santo.

O autor deste livro tem cometido vários pecados contra esse Espírito Santo. O mais recente em que incorreu foi proclamar a não-validade filosófica do marxismo-leninismo. Aproveitando-se da incultura de alguns, ou do romantismo revolucionário dos mais inteligentes e instruídos, passou-se, a partir de minha aversão ao marxismo-leninismo, a divulgar, notadamente nos dias de minha campanha eleitoral, que eu me passara para a Reação (escrevo esta palavra com maiúscula, em respeito ao sortilégio mágico que ela suscita em certos meios sectários). […]

Sei o que me espera após a publicação deste livro: o recrudescimento da campanha sectária contra a minha pessoa. Não alimento a esperança de convencer o pequeno contingente dos que servem a qualquer preço a aparelhos inidôneos que exploram a boa-fé e o sentimento patriótico de muitos brasileiros. Dirijo-me ao grande número daqueles que, distante de igrejinhas, podem julgar por si mesmos, do imenso público que, avidamente, procura, sem má-fé partidária, instruir-se a respeito dos problemas brasileiros.

(RAMOS, Alberto Guerreiro. Mito e verdade da revolução brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 1963).

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